A Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Churra da Terra Quente (ANCOTEQ) iniciou a sua actividade em 1990, sendo a sua sede na vila de Torre de Moncorvo. O seu objectivo é promover e dinamizar o crescimento da raça Churra da Terra Quente, uma raça autóctone.
A ANCOTEQ tem contribuído para o melhoramento genético desta raça, sendo detentora do Livro Genealógico da raça Churra da Terra Quente. Paralelamente, tem vindo a impulsionar os ovinicultores e toda esta região, em nome dos produtos tradicionais e regionais, como o leite, o queijo e o borrego provenientes da raça Churra da Terra Quente. Para o efeito, criou duas cooperativas: a QUEITEQ e a OVITEQ. De forma a preservar e garantir a qualidade dos produtos, a ANCOTEQ procede a um controlo rigoroso da produção e a uma certificação dos produtos, que é feito através de um selo de qualidade (DOP).
A raça Churra da Terra Quente distingue-se de todas as outras raças de ovelhas existentes em Portugal, pelos cornos e lã extensa que possui e que protege os animais do clima agreste. Esta raça expandiu-se no interior Transmontano a partir do séc. XIX, tendo nascido do cruzamento entre as fêmeas Badanas e os machos Mondegueiros.
As características geográficas (montes, planaltos secos, relevo ondulado e encostas escarpadas) e climatéricas (uma estação fria e chuvosa e outra quente e seca) influenciam o tipo de alimentação da raça Churra da Terra Quente, sendo o seu principal recurso as pastagens espontâneas. Estas pastagens são feitas nas áreas de inculto, nos prados naturais e nos baldios, onde as ovelhas se alimentam essencialmente de giestas, urzes, estevas, silvas, ervas, petusca, panasca, azevéns, trevos, serradelas e folhas de oliveira, amendoeira, freixo, olmo, carvalho e vinha. As pastagens são um factor determinante no crescimento e desenvolvimento destas espécies, razão pela qual os animais criados e alimentados nas pastagens são cada vez mais procurados e valorizados na alimentação humana. Esta alimentação rica e variada, associada a um maneio tradicional, contribui para que a raça Churra da Terra Quente produza leite com características únicas.
Ao ser ordenhado, o leite é tratado nas melhores condições de higiene, dando origem a um queijo com um sabor muito próprio. Este queijo apresenta uma pasta semi-mole, de forma cilíndrica e um peso que oscila entre 800 e 1200 gramas, bastante rico em cálcio, vitaminas e proteínas.
Também a lã da raça Churra da Terra Quente é aproveitada, nomeadamente para os famosos “tapetes de lã de ovelha”, uma arte que conta com uma longa tradição e que foi transmitida pelas mulheres árabes. A ANCOTEQ recuperou esta arte que quase desapareceu, através de acções de Formação Profissional com o apoio do I.E.F.P., tendo conseguido criar a sua própria produção.
Com o objectivo de desenvolver e fomentar a raça Churra da Terra Quente e todos os seus derivados, a ANCOTEQ levou a cabo uma série de acções de grande relevo:
Protecção sanitária
Colaboração com actividades de investigação científica
Formação profissional especializada
Melhoria do sistema de recolha do leite
Colaboração com entidades de âmbito nacional e internacional no aperfeiçoamento das estruturas e das normas do mercado ovino
Organização de feiras e concursos pecuários da raça Churra da Terra Quente
Apoio à produção e ao consumo da carne do borrego da raça Churra da Terra Quente e seus derivados, tanto no mercado interno como no mercado externo
Para concretização das acções, a ANCOTEQ tem tido o apoio de várias instituições, nomeadamente dos Serviços Regionais do Ministério da Agricultura, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, da Escola Profissional de Carvalhais, do Instituto do Emprego e Formação Profissional e de autarquias, contando ainda com a colaboração de programas como o PEDAP, PROAGRI, NOVAGRI, PENADA, FEOGA, LEADER, INTERREG, PAMAF e AGRIS.